segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vanguardas Europeias

http://www.youtube.com/watch?v=34NE34Uszmg






Os movimentos de vanguarda emergiram na Europa nas duas primeiras décadas do século 20 e provocaram ruptura com a tradição cultural do século 19. Foram extremamente radicais e influenciaram manifestações artísticas em todo o mundo.

As cinco principais correntes vanguardistas foram: Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Expressionismo e Surrealismo.





Futurismo: primeiro movimento merecedor da classificação de vanguarda, caracteriza-se pelo interesse ideológico na arte. Sua produção preconiza a subversão radical da cultura e dos costumes, negando o passado em sua
totalidade e pregando a adesão à pesquisa metódica e à experimentação estilística e técnica.










Cubismo: resultado das experiências de Pablo Picasso (1881 – 1973) e de Georges Braque (1882 – 1963), esteve, inicialmente, ligado à pintura e teve por princípio a valorização das formas geométricas. Na literatura, caracteriza-se pela fragmentação da linguagem e geometrização das palavras, dispostas no papel de maneira aleatória a fim de conceber imagens.














Dadaísmo: surgido em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), constitui um grito de revolta contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra. Por isso, os dadaístas são contra as teorias e ordenações lógicas.


















Expressionismo: tem como herança a arte do final do século 19 e valoriza aquilo que chama de


expressão: a materialização criativa (na tela ou no papel) de imagens geradas no mundo interior do artista.
















Surrealismo:
como o Expressionismo, preocupa-se com a sondagem do mundo interior, a liberação do inconsciente e a valorização do sonho. Esse fascínio pelo que transcende a realidade aproxima os surrealistas das ideias do psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856 – 1939).










Com o que ficar atento?
A palavra “vanguarda” vem do francês avant-garde (termo militar que designa o pelotão que vai à frente). Desde o início do século 20, designa aqueles que, no campo das artes ou das ideias, está à frente de seu tempo.

Como pode cair no vestibular?

Não satisfeitos com a produção artística de sua época, artistas de vanguarda buscam novas formas de expressão. Os recursos estilísticos utilizados por eles em suas composições têm sido amplamente explorados em vestibulares. Além disso, o tema tem ligação com a atualidade, pois vivemos em uma época em que ruptura de paradigmas são constantes.







Dias e dias, de Ana Miranda

http://www.youtube.com/watch?v=cpHFO30Mbe8

O romance Dias e dias, de Ana Miranda, publicado em 2002, é inspirado na poesia "Dias após dias" de Rubem Fonseca, e constrói a vida do poeta romântico Gonçalves Dias, revelando detalhes pessoais.
Desde o seu começo, apresenta a voz da narradora Feliciana, hoje, uma mulher, que desde menina fora apaixonada por Gonçalves Dias. No romance, Feliciana toma conhecimento da vida íntima de Gonçalves Dias por meio das cartas enviadas pelo poeta a seu grande amigo Alexandre Teófilo de Carvalho Leal. Mostradas a Feliciana por Maria Luíza, esposa de Teófilo, as cartas registram muitas das questões existenciais do poeta. Feliciana descreve de forma emocionante a paixão que as cartas alimentam, e seu relato revela refinamentos da alma feminina.
Estas cartas, freqüentemente citadas no romance, criam uma ilusão de realidade, fazem o leitor esquecer-se da ficcionalidade de Feliciana e de outros personagens que têm existência apenas no romance, colocando-os no mesmo plano de existência de Alexandre Teófilo e Gonçalves Dias.
O romance retrata o século XIX e ainda traz como destaque a revolta da Balaiada, ocorrida em Caxias, além de abordar curiosidades e dados biográficos que traçam o perfil de Gonçalves Dias. A obra combina história e ficção para contar uma história sobre o amor, os costumes provincianos no interior do Brasil durante esta época, a descoberta da cultura indígena, a beleza da poesia e os mistérios da sensibilidade.
A história reúne três personagens centrais: Feliciana, o poeta Gonçalves Dias e o sabiá, não um sabiá específico, mas a espécie inteira, que na Canção do exílio simboliza a pátria distante.
Feliciana parece ser a própria incorporação do espírito romântico oitocentista, é uma memória ambulante que transforma Gonçalves Dias num ser etéreo, intocável e, ao mesmo tempo, tão presente. Feliciana é o sabiá, com toda a sua brasilidade, preso na gaiola com saudades do poeta romântico nacionalista. Por outro lado, o romance parece representar justamente a soltura do sabiá, quando apresenta o nacionalismo romântico como parâmetro para uma proposta nacionalista atual.
A trama tecida pela autora faz com que o leitor se identifique com a personagem, que desvenda o que sente por meio da escrita e da memória. Os personagens menores, o pai de Feliciana, colecionador de sabiás; Adelino, um tímido professor apaixonado por Feliciana, e Natalícia, a doce e severa preceptora, conferem ao livro uma grande riqueza humana.
Antonio Gonçalves Dias (1823-1864) é o principal nome da poesia romântica brasileira. Além de Canção do exílio, compôs os principais poemas da vertente indianista do romantismo, entre eles I-Juca-Pirama e Leito de folhas verdes.
Na obra, os fatos são apresentados em flashbacks e há o caráter cíclico da diegese, a narrativa inicia-se em 03 de novembro de 1864 e ao final do livro nos deparamos com a mesma data, o que sinaliza para os anacronismos, ou seja, as constantes idas e vindas no tempo da narração.
Sob o ponto de vista desta narradora em primeira pessoa do singular é recordada e relatada não apenas sua vida, como também a vida do objeto de seu amor, Dias.
Ana Miranda, de maneira muito inteligente, insere em seu texto, além de poemas, muitas informações verídicas sobre o autor. Esta marca de intertextualidade faz da trama um “mosaico de citações” por muitas vezes parodizadas. Isto, porque a autora utilizando os versos de Gonçalves Dias lhes dá um sentido distinto, o que faz com que, no mínimo, sua leitura deva ser dupla.
Por meio dos poemas inseridos na narrativa de Dias e dias e da presença de correspondências que são trocadas dentro da diegese, as quais a autora teve acesso por meio de trabalhos rigorosos de pesquisa e consulta à arquivos, é composta uma espécie de fotografia de nosso país e as informações contidas no romance contribuem para a formação não só das características do poeta representativo de nosso país, como também de peculiaridades que dizem respeito à nossa pátria amada.
Dias e dias, ratifica-se como uma bela e prazerosa obra de cunho histórico, mas, se o leitor não for atento, nem perceberá o tema maior, devido ao caráter de liricidade romanesca, a história envolvente de um amor platônico. Isto faz com que a obra não seja apenas um romance histórico, mas uma magnífica biografia romanceada, feita nos moldes da ficção. Um romance envolvente que é organizado quase que, como um diário, a partir de sucessivos processos de rememoração de Feliciana.
Ainda que toda a narrativa gire em torno de observações e declarações de Feliciana, isto é apenas um pretexto para que se fale do personagem maior, o poeta Gonçalves Dias. Como estratagema, Ana Miranda utiliza-se de um personagem fictício (Feliciana) para falar de um acontecido histórico. Porém, estes personagens históricos não protagonizam a diegese, servindo apenas como parte do cenário ou “pano de fundo”. Quem protagoniza a narrativa são os homens comuns e, por ser mulher, a narradora Feliciana representa mais do que apenas uma pessoa comum. O fato de as ações serem protagonizadas por seres ficcionais faz com que a ficção fique muito à frente de um mero enfoque histórico.
A proposta da diegese de Dias e dias diz respeito à leitura que o romance fornece da história, ou seja, abordar o momento brasileiro em que há a representação da mulher e do homem do século XIX que, via de regra, o recurso histórico não registrava, Ana Miranda aborda, então, esses elementos que as enciclopédias históricas não abarcam. O olhar de Feliciana é dirigido para o cotidiano, isto é, para a história da condição feminina.
O romance de Ana Miranda está entre aqueles romances da atualidade que apresentam um olhar para dentro do Brasil, focalizando sua arte, sua história, sua cultura, numa busca insistente, neste momento, por uma forma de conhecer ou de reconhecer uma identidade brasílica que se reconstrói por meio da história (literária, no caso de Dias e Dias) e que traz consigo um movimento e um sentimento de nação. O sabiá, neste sentido, surge no romance como símbolo desta brasilidade presente tanto nos poemas de Gonçalves Dias quanto nos romances da atualidade, ainda que de modo bastante diverso.
Este é um romance que se diferencia de Boca do Inferno (1989) por este retorno nacionalista, pelo maior destaque dado ao discurso biográfico e pelo amadurecimento criativo. As notas da autora, ao final do romance, são menos referências bibliográficas do que indicações que auxiliariam o leitor no reconhecimento do caráter documental de seu texto. Por outro lado, estas indicações mostram um caminho para a reescrita ou, pelo menos, para a reconstrução do romance pelo leitor e, para que ele não considere o texto uma colagem irresponsável dos textos de Gonçalves Dias, a autora avisa que “poesias e cartas de Gonçalves Dias foram incorporadas à expressão da narradora.

Os Timbiras, de Gonçalves Dias


Epopeia indianista inacabada de Gonçalves Dias, é uma narração dividida em uma introdução e quatro cantos. É o ponto exato em que o mito do bom selvagem, constante desde os árcades, acabou por fazer-se verdade artística, e o poemeto épico I-Juca Pirama - a mais acabada realização do indianismo na poesia brasileira.

Nos poemas são narrados os feitos de guerreiros timbiras, principalmente do chefe Itajuba e do jovem guerreiro Jatir. Altamente idealizados, estes índios falam apenas em valor, coragem, guerra e honra, num mundo habitado por inimigos vis, piagas (pajés) sábios e guerreiros valorosos. O autor usa e abusa de termos em tupi e do verso branco (sem rima). A obraCantos era composta dos primeiros quatro cantos de Os Timbiras. Gonçalves Dias não pôde concluir o poema, pois antes disso faleceu num desastre.

Em Os Timbiras, a civilização luso-brasileira é apresentada como usurpadora de uma terra que tinha outros senhores, uma “nação que tem por base / Os frios ossos da nação senhora, /E por cimento a cinza profanada / Dos mortos, amassada aos pés de escravos”. E em poemas como O Canto do Piaga e Deprecação os pajés pressagiam os horrores da colonização: “Não sabeis o que o monstro procura? / Não sabeis a que vem, o que quer? / Vem matar vossos bravos guerreiros, / Vem roubar-vos a filha, a mulher!”

Otelo, o mouro de Veneza - Skakespeare

Iveja e traição são pontos marcantes dest tragédia Shakspeareana.Iago trama com Rodrigo,"gentil-homem Veneziano",uma maneira de contar a Brabâncio,um rico senador,que sua filha,a bela e gentil Desdêmona,havia se casado com Otelo,o soldado mouro.
Iago era pérfido,queria se vingar de qualquer maneira e,planta o ódio em seu coração,seu alvo principal é o general;a causa de tamanho ódio é por não ter sido promovido ao posto de
tenente,Otelo promove Cássio para tal posto,Cássio é um jovem soldado Florentino e grande intermediário no romance de Otelo e Desdêmona.
Este fato deixa Iago profundamente ofendido,poi,tais promoções não deveriam ser feitas por amizade e sim pelos meios convencionais.Brabâncio acusa Otelo de bruxaria,depois que percebe que a filha fugiu para casar com o mouro.Iago se aproveita de uma conversa entre Cássio e Desdêmona,ele a pede que interceda no caso do rebaixamento de cargo,Iago então envenena Otelo contra
Desdêmona;um lenço plantado no quarto de Cássio por Iago é a prova falsa desta suposta traição;Iago convence Otelo.
Emília,que acompanha Desdêmona,a defende das acusações,em vão,Otelo mata Desdêmona,estrangulando-a,Cássio já havia matado Rodrigo,Iago mata Émília e Otelo percebe que foi enganado então se mata beijando Desdêmona.
Este ato de " enfiar o punhal em seu peito",caracteriza o herói trágico.

1ª Geração do Romantismo





1ª Geração do Romantismo



O Romantismo, no Brasil, foi um período inicialmente de apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma a visão do mundo centrada no indivíduo . Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos .Para os românticos, o mundo real é sempre uma frustração de seus idealismos e sonhos. Daí a rebeldia dos poetas do mal- do -século. Esse desejo de fugir da realidade manifesta-se em atitudes como o desejo de morrer, o culto a solidão, a evasão no espaço e no tempo.O poeta tem maior liberdade formal em busca da musicalidade) , as comparações , metáforas e adjetivação são constantes para dar vazão a fantasia, as redondilhas são costumeiras tanto a menor como a maior, a natureza passa a integrar-se a história do ser humano que não é apenas bondade mas também é maldade..A mulher é sempre idealizada e inacessível , virgem , angelical ou até mesmo sensual, o amor em sua grandeza algumas vezes em forma paixão. O romantismo retrata as emoções mais profundas e os sentimentos são expressos através do poeta (autor) que expõe de tal forma a simbolizar o que sente de maneira bela e melancólica muitas vezes. A subjetividade e a emoção do eu ( autor) são marcas do romantismo. Que foi de suma importância para a crescimento da literatura brasileira.









Características: - Liberdade total no plano expressivo, ou seja, a "liberdade de expressão". - Arte voltada para as camadas populares - Sentimentalismo - Idealização da figura feminina - Índio: representa o nacionalismo e o passado pré-colonial - Exaltação da natureza - Sentimento nacionalista - Religiosidade - Saudosismo





Entre estas destacam-se: Nacionalismo:Exaltação da Pátria, de forma exagerada, em que somente as qualidades são enaltecidas. Indianismo:O índio era imaginado a partir do ideal cavalheiresco do romantismo medievalista europeu. Espírito nobre, seus valores são sobre tudo a honra, a honestidade, a franqueza e a lealdade.

Poetas Românticos que se destacaram: Gonçalves Magalhães: Considerado o homem que iniciou o Romantismo no Brasil, Domingos José Gonçalves de Magalhães nasceu em Niterói em 1811 e, após formar-se em medicina, viajou para a Europa, onde tomou contato com as ideias românticas. Em 1836, juntamente com Araújo Porto Alegre, Torres Homem e Pereira da Silva, fundou, em Paris, a "Niterói - Revista Brasiliense". Nesse mesmo ano publicou o livro "Suspiros Poéticos e Saudade", considerado como o marco inicial do Romantismo brasileiro. Em 1837, Gonçalves de Magalhães retornou ao Brasil e em 1847 ingressou na carreira diplomática. Foi exercendo essa função que o escritor faleceu, em Roma, no ano de 1882. Sua poesia, considerada fraca pela crítica literária, cultivava os valores fundamentais do Romantismo na sua primeira fase, ou seja, a religião, o patriotismo etc.






Principais Obras: Poesias (1832) Suspiros Poéticos e Saudades (poesia - 1836) Discurso sobre a História da Literatura do Brasil(1836) Antônio José ou O Poeta e a Inquisição (teatro - 1838) Olgiato (teatro – 1839) A confederação dos Tamoios (poesia - 1856) Os mistérios (1857) Fatos do espírito humano (1865) Urânia (1862) Cânticos fúnebres (1864) A alma e o cérebro (1876) Comentários e pensamentos (1880).






Gonçalves Dias: O poeta Antônio Gonçalves Dias, que se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro (branca, indígena e negra), nasceu no Maranhão em 10 de agosto de 1823. Em 1840 foi para Portugal cursar Direito na Faculdade de Coimbra. Ali, entrou em contato com os principais escritores da primeira fase do Romantismo português. Em 1843, inspirado na saudade da pátria, escreveu "Canção do Exílio". No ano seguinte graduou-se bacharel em Direito. De volta ao Brasil, iniciou uma fase de intensa produção literária. Em 1849, junto com Araújo Porto Alegre e Joaquim Manuel de Macedo, fundou a revista "Guanabara". Em 1862 retornou à Europa para cuidar da saúde. Em 1864, durante a viagem de volta ao Brasil, o navio Ville de Boulogne naufragou na costa brasileira. Salvaram-se todos, exceto o poeta que, por estar na cama em estado agonizante, foi esquecido em seu leito.






Principais Obras: Primeiros contos, poesia (1846); Leonor de Mendonça, teatro (1847); Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão, poesia (1848); Últimos cantos (1851); Cantos, poesia (1857); Os Timbiras, poesia (1857); Dicionário da língua tupi (1858); Obras póstumas, poesia e teatro (1868-69); Obras poéticas, org. de Manuel Bandeira (1944); Poesias completas e prosa escolhida, org. de Antonio Houaiss (1959); Teatro completo (1979).

Os Lusíadas


Luís Vaz de Camões

Episódios:

  • "Inês de Castro" - III, 118 a 135
  • "O Velho do Restelo" - IV, 90 a 104

    Publicada em 1572, "Os Lusíadas" é a epopeia do povo português. A obra é composta de 10 cantos, repartidos em 1.102 estrofes em oitava-rima (oito versos por estrofe e rima em ABABABCC) e decassílabos heróicos.

    A epopeia camoniana é dividida em três partes: Introdução (proposição, invocação e dedicatória); Narração e Epílogo, tendo como assunto a viagem de Vasco da Gama às Índias.

    A narração tem início quando as caravelas de Vasco da Gama já estão navegando pelo Oceano Índico, portanto, em plena viagem. Os navegantes são supervisionados pelos deuses do Olimpo, que decidem o destino dos navegantes após a realização de um concílio.

    Os portugueses encontram em Vênus uma preciosa aliada e em Baco o mais ferrenho inimigo. Na costa oriental da África, os portugueses aportam em Moçambique e depois em Melinde, cujo rei pede a Vasco da Gama que conte a história do país, motivo dos cantos três e quatro. Dois episódios serão destacados dentro da história de Portugal.

    O primeiro é protagonizado por Inês de Castro, jovem que acompanha D. Constança de Castela, princesa prometida a D. Pedro, filho de Afonso 4º de Portugal. Jovem de rara beleza, Inês atrai a atenção do príncipe herdeiro, que, após a morte da esposa, casa-se secretamente com ela. Afonso 4º, ouvindo conselhos daqueles que viam nela mais uma aventureira a serviço da Espanha, manda matá-la.

    O inconformado D. Pedro, ao assumir o trono português, fez de sua amada a rainha de seu povo, desenterrando-a e coroando-a. Camões obtém um efeito extraordinário ao inserir na epopeia este episódio essencialmente lírico.

    No canto seguinte (IV), Gama prossegue, narrando a história de Portugal desde a dinastia de Avis (D. João I) até a partida da armada para a Índia. Nas últimas estâncias do canto está inserido o episódio de "O Velho do Restelo".

    Portugal vive uma fase de euforia quando do início das grandes navegações. Em meio à preparação da partida das naus rumo às grandes conquistas surge O Velho do Restelo, representando a oposição entre passado e presente, antigo e novo.

    O Velho chama de vaidosos aqueles que, por cobiça ou ânsia de glória, por audácia ou coragem, se lançam às aventuras ultramarinas. O Velho do Restelo simboliza a preocupação daqueles que anteveem um futuro sombrio para a Pátria.
  • A alma encantadora das ruas - João do Rio


    http://www.youtube.com/watch?v=5Db14AyNyc4

    A crônica é um gênero literário muito praticado no jornalismo pois busca refletir, narrar ou descrever sobre alguns acontecimentos que se destacam na sociedade, trazendo um olhar subjetivo mais explícito do autor. Aos poucos essa forma de lidar com o fato tornou-se um documento que registra os aspectos sociais e culturais de uma época.

    Muitos nomes que se destacaram no gênero podem ser citados como referência, alguns de menor valor e que existem aos montes nas redações dos jornais afora; outros verdadeiros gênios da linguagem conseguiram fazer dela um texto universal. Entre esses escritores da segunda estirpe está o carioca João do Rio e a sua obra A alma encantadora das ruas (1908), reunião de crônicas que, por ter como pretensão captar a alma das ruas do Rio de Janeiro do início do XX, vai mais além, servindo como um documento acerca de qualquer rua, qualquer que seja o lugar e o tempo.

    Dividido em cinco partes, a obra apesar de ser constituída de textos independentes, parece ser construída em uma sequência lógica, onde um complementa o outro na formação dessa vida na urbe.

    Logo em sua primeira crônica A rua, temos uma espécie de prólogo que revela – em uma linguagem bastante próxima da poética, talvez por isso seja uma das melhores crônicas do livro – as histórias e origens de várias das principais ruas do Rio de Janeiro, revelando-nos sua aura e seus ares peculiares. Somos também apresentados a uma nova arte: a arte de flanar. Definida pelo autor como o dom de perambular pelas ruas captando sua essência, João do Rio define o seu modus operandi para a construção das crônicas que seguem a obra, demonstrando, antes de tudo, uma paixão e um olhar pelo despercebido – o que só reforça o olhar poético inerente à sua obra.


    Aos poucos somos retirados dessa visão um tanto quanto apaixonada demais que o autor possui pelas ruas e, tal qual uma viagem ao inferno dantesco, somos enviados a outro inferno, que não está situado abaixo de nós, mas entre nós: o inferno das ruas. Os quatro capítulos que seguem o inicial, funciona como os círculos do inferno descritos por Dante, aumentando o nível de dificuldade à medida que avançamos no texto.

    Nas várias profissões informais que são nos apresentadas em um formato de texto que mistura a crônica, com contos e reportagens, podemos observar as dificuldades enfrentadas pelo dito “povão” para sobreviver. São tatuadores, urubus, músicos, que, com originalidade, driblam os desafios encontrados e sobrevivem, dignamente ou não. Vale ressaltar que apesar de tomarmos conhecimento dessas dificuldades, João do Rio as descreve de forma que as valorize, enxergando até beleza nelas. E é nesse clima de beleza e alegria com que essa gente encara a vida, outros pontos reforçam essa espontaneidade festiva do povo como os presépios natalinos, as festas de carnaval e a criatividade nos nomes dos anúncios de casas comerciais.

    Dentro disso tudo, sobressai o tom irônico e crítico com que João do Rio descreve essas realidades, conferindo às suas crônicas um olhar peculiar, que ora mistura alegria, tristeza,
    crítica, informação e poesia, extraindo ao máximo o que esse universo da urbe pode proporcionar.

    Focando no lado ruim dessas coisas que a rua pode nos proporcionar, a terceira parte da obra debruça-se sobre a dureza da vida nas ruas, descrevendo os mendigos, as explorações, a dor e sofrimento dessa gente, revelando o que há, de fato, por trás da mágica alegria das ruas. Como não ver a realidade atual nesses textos que falam de crianças pedintes e exploradas; em senhoras invejosas em busca da ascensão social a todo custo; e das prostitutas.

    O que mais chama a atenção nos relatos de João do Rio é o constante olhar próximo que nos revela a realidade crua e, inclusive, os sentimentos do cronista ao entrar em contato com a realidade, comovendo-nos muitas vezes em seus relatos.

    Outro aspecto relevante no texto desse jornalista é preocupação em captar o que há de feio nas ruas, de captar o rejeitado, os enjeitados; dando voz àqueles que até então eram mudos. Percebe-se em seus textos que sobressai uma preocupação com o excluído, tendo como pano de fundo uma visão social que busca expor as mazelas, contrapondo-se à beleza tão pautada da cidade maravilhosa. Os excluídos são incluídos nessa realidade, que mistura dor, alegria e sobretudo fascínio no escritor e em seus leitores.

    Como conseqüência dessa vida sofrida a qual os excluídos estão submetidos constantemente, temos as prisões – uma forma de apontar a que tipo de recurso a maioria recorre para sair dessa situação. Mas ao contrário do que se prega, as prisões descritas por João do Rio, parece se configura o verdadeiro inferno, que denigrem ainda mais as condições de vida dessas pessoas. Porém, como se buscasse afirmar que nem tudo estava perdido, João do Rio traz à tona o aspecto mais humano dessas pessoas, não se prendendo aos crimes que eles cometeram. O cronista nos mostra, por meio de poetas e crimes de amor, que antes de qualquer crime que os tenha levado à prisão – e saberemos que até o mais ínfimos gesto os conduz a ela -, existem seres humanos ali. E, por conseguir mostrar a presença de humanos nesses ambientes é que o autor consegue revelar a verdadeira alma das ruas, que nada mais é do que a alma de quem as habita: seres humanos, afinal: “A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suro humano na argamassa do seu calçamento”.

    Paralelismo

    O paralelismo constitui uma das características estruturais da lírica galego-portuguesa, consistindo na repetiçãosimétrica de palavras, estruturas rítmico-métricas ou conteúdos semânticos. Nas cantigas de amigo, o paralelismoconsubstancia-se frequentemente no leixa-prem, um processo de articulação estrófica, pelo qual o 2.º verso da 1.ªestrofe é retomado no 1.º verso da 3.ª estrofe, ao mesmo tempo que o 2.º verso da 2.ª estrofe é repetido no 1.º da 4.ª estrofe, e assim sucessivamente, mantendo invariável o refrão, ao mesmo tempo que cada par de dísticos realiza um paralelismo semântico, como, por exemplo, na seguinte cantiga de Martin Codax:
    Eno sagrad', en Vigo, bailava corpo velido: amor ey! En Vigo, no sagrado, bailava corpo delgado amor ey! Bailava corpovelido, que nunca ouvera amigo: amor ey! Bailava corpo delgado, que nunca ouvera amado: amor ey! Que nunca ouveraamigo, ergas no sagrad' en Vigo: amor ey! Que nunca ouvera amado, ergu'en Vigo, no sagrado: amor ey. (CV889)Também se pode verificar a presença do paralelismo noutras épocas em que se observa a repetição da estruturasintática da frase, ainda que nem sempre com as mesmas palavras, como, por exemplo, nestas estrofes da poesia "Anoiva", de Júlio Dinis (exceto o sublinhado): "Abrem-se as portas. "É ele!" Disse toda a companhia, porém ilusóriaesperança! Um pagem só aparecia; E a alva flor da laranjeira
    Do véu da noiva caía.
    Tristes novas traz o pagem, Que triste o rosto trazia; Fez-se um silêncio profundo enquanto que ele as dizia, e a alvaflor da laranjeira
    Ainda por terra jazia.

    Dispam-se as galas da festa, Calem-se os sons de alegria, Que morto em cruel combate O noivo... Um grito se ouvia,Junto à flor da laranjeira
    A noiva no chão caía."

    Paranomásia

    Leia a frase a seguir:

    “O diretor ratificou que ele mesmo fizera as retificações no documento”.

    Observe que, na sentença acima, há o emprego de duas palavras parecidas, e pouco utilizadas no português falado, o que às vezes até compromete o sentido da oração.

    Os vocábulos ratificar (= confirmar) e retificar (=corrigir) são classificados como parônimos pela gramática tradicional, pois possuem semelhança na pronúncia e na escrita, mas possuem significados totalmente diferentes.

    Quando numa mesma sentença temos o emprego de palavras parônimas, ou seja, palavras de sons parecidos, dizemos que ocorreu aí a paranomásia, figura de linguagem que consiste no emprego de palavras parecidas, numa mesma sentença, gerando uma espécie de trocadilho.

    O desconhecimento do sentido real destas palavras compromete efetivamente na não-compreensão do que está sendo dito pelo locutor.

    Observe neste poema de Manuel Bandeira:

    “Neologismo”

    “Beijo pouco, falo menos ainda.

    Mas invento palavras

    Que traduzem a ternura mais funda

    E mais cotidiana.

    Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

    Intransitivo:

    Teadoro, Teodora”.

    Neste contexto, o poeta faz um trocadilho entre a junção do pronome oblíquo “te” + o verbo “adorar”, formando o neologismo “teadorar” e o nome da pessoa amada, “Teodora”. No último verso, “Teadoro, Teodora”, percebemos que nesse trocadilho temos o emprego da paranomásia. Os sons são parecidos, mas quanto ao sentido, esses são diferentes.

    Veja outros exemplos onde ocorre a paranomásia:

    “Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias” (Padre Antonio Vieira)

    premissas= antecedentes

    primícias= primeiros frutos (simbolicamente, algo muito bom)

    “O homem fardado tentava a todo custo explicar à mulher que ela estava infringindo a lei. Como não lhe dera ouvidos, levou-a ao xadrez, infligindo-a as mais duras provações, desde engraxar suas botas até lavar os banheiros dos detentos.”

    Infringir= desrespeitar, cometer infração.

    Infligir= submeter, aplicar castigo.


    Segundo Orlando Pires, a assonância consiste na repetição da vogal tônica ou vocábulos com consoantes iguais e vogais distintas.

    Veja os exemplos:

    “Pássaro da lua

    que queres cantar

    nessa terra tua

    sem flor e sem mar?”

    (Cecília Meireles)

    Nesses versos, a assonância se apresenta na repetição da vogal tônica “e” (queres, nessa, terra, sem), nas vogais “ua” (lua, tua) e na vogal “a” (pássaro, cantar, mar).

    “A bela bola

    rola:

    a bela bola de Raul”.

    (Cecília Meireles)

    Nessa estrofe, os vocábulos são assonantes, pois apresentam consoantes iguais e vogais diferentes (bela, bola).

    “É a moda

    da menina muda

    da menina trombuda

    que muda de modos

    e dá medo”.

    (Cecília Meireles)

    Nos versos acima, a assonância se apresenta através de consoantes iguais e vogais distintas (moda, muda, modos, medo).

    Outros exemplos de assonância:

    “Com seu colar de coral (repetição da vogal tônica)

    Carolina

    corre por entre as colunas (vogais diferentes entre consoantes idênticas)

    da colina”.

    (Cecília Meireles)

    Tanta Tinta

    Ah! Menina tonta

    toda suja de tinta

    mal o céu desponta!

    (Sentou-se na ponte,

    muito desatenta…

    E agora se espanta:

    Quem é que a ponte pinta

    com tanta tinta?…)

    A ponte aponta

    e se desaponta

    A tontinha tenta

    limpar a tinta

    ponto por ponto

    e pinta por pinta…

    Ah! a menina tonta!

    Não viu a tinta da ponte.

    (Cecília Meireles)

    Neste poema, a assonância ocorre nos dois casos citados: na repetição das vogais tônicas nasais “an, en, in, on”, como também se apresenta com consoantes iguais e vogais distintas. Observe:

    Tanta aponta

    Tenta a ponte

    Tinta pinta

    Tonta ponte

    ponto

    desponta

    Desatenta desaponta

    espanta

    Esse recurso estilístico é muito utilizado na poesia, e constitue um importante elemento na intensificação da musicalidade dos versos.

    Aliteração

    Aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir fonemas num verso ou numa frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesia mas também pode ser empregada em prosa, especialmente em frases curtas.
    Consiste na repetição do mesmo fonema consonântico, de forma a obter um efeito expressivo.

    Quando usada sabiamente, a aliteração ajuda a criar uma musicalidade que valoriza o texto literário. Mas não se trata de simples sonoridades destituídas de conteúdo. Geralmente, a aliteração sublinha (ou introduz) determinados valores expressivos, nem sempre facilmente descritíveis.


    Em horas inda louras, lindas
    Clorindas e Belindas, brandas
    Brincam nos tempos das Berlindas
    As vindas vendo das varandas.
    (Fernando Pessoa)


    Esta estrofe de Pessoa é um exemplo soberbo do uso expressivo da aliteração. Na realidade, estamos, não perante uma aliteração, mas face a um complexo onde podemos facilmente identificar
    aliteração do "l"
    aliteração do "d"
    aliteração do "b"
    aliteração do "v"

    Neste caso, a acumulação aliterativa cria um efeito musical tão intenso que nos leva a colocar num plano secundário o conteúdo. No entanto, em condições normais a aliteração põe em evidência as palavras afectadas e, portanto, sublinha o seu valor expressivo. Por vezes, permite mesmo estabelecer associações pouco evidentes entre palavras.

    Frequentemente a aliteração aparece associada à assonância (neste exemplo, "i/in" e "a/an").